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sexta-feira, 24 de março de 2017

Brigada de Incêndio - Dimensionamento


O que é Brigada de Incêndio?

Brigada de Incêndio são grupos de pessoas previamente treinadas, organizadas e capacitadas dentro de uma organização, empresa ou estabelecimento para realizar atendimento em situações de emergência.

O Decreto Estadual nº 56.819/11 - Regulamento de Segurança contra Incêndio das edificações e áreas de risco do Estado de São Paulo, em sua Instrução Técnica Nº17 - IT17/14, orienta sobre a composição, formação, implantação, treinamento e reciclagem da brigada de incêndio, na prevenção e no combate ao princípio de incêndio, abandono de área e primeiros socorros, visando, em caso de sinistro, proteger a vida e o patrimônio, reduzir os danos ao meio ambiente, até a chegada do socorro especializado, momento em que poderá atuar no apoio.
Com relação às indústrias, todas as edificações ou áreas de risco, deverão possuir equipe de Brigadistas treinados.
Para auxilia-los no assunto, irei abordar o tema:

Dimensionamento da Brigada.
O dimensionamento deve estar de acordo com a IT17 do CBSP - Brigada de Incêndio e NBR 14276 – Programa de brigada de incêndio.
Esta Norma estabelece as condições mínimas para a elaboração de um programa de brigada de incêndio, visando proteger a vida e o patrimônio, bem como reduzir as conseqüências sociais do sinistro e dos danos ao meio ambiente. Esta Norma é aplicável em edificações industriais, comerciais e de serviço, bem como as destinadas à habitação (residenciais ou mistas).
A brigada de incêndio deve ser composta levando-se em conta a população fixa e o percentual de cálculo da tabela 1, que é obtido levando-se em conta a classe e a subclasse de ocupação da planta, conforme a equação a seguir: 
Número de brigadistas por pavimento ou compartimento =
[população fixa por pavimento] x [% de cálculo da tabela 1]

Tabela 1

Tabela A.1

Nota: O cálculo pela tabela A1 da IT17 apresentará valor pouco superior que o cálculo com base na tabela 1 da NBR14276.

Exemplos de dimensionamento pela IT17:

Ex. 1: Indústria em um único setor (divisão I-2 – risco médio) com população fixa de: 80 pessoas.
- População fixa até 10 pessoas = 6 brigadistas (tabela A.1). 
- População fixa acima de 10 = 80 (população fixa total por pavimento) – 10 = 70 pessoas = 70/15 (mais um brigadista para cada grupo de até 15 pessoas para risco médio) = 5 brigadistas. 
- Número de brigadistas = 06+05 = 11 brigadistas. 
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Ex. 2: Indústria em um único setor (divisão I-3 – risco alto) com população fixa de: 20 pessoas.
- População fixa até 10 pessoas = 8 brigadistas (tabela A.1). 
- População fixa acima de 10 = 20 (população fixa total por pavimento) – 10 = 10 pessoas = 10/10 (mais um brigadista para cada grupo de até 10 pessoas para risco alto) = 1 brigadista. 
- Número de brigadistas no período = 08+01 = 9 brigadistas. 
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Ex. 3: Planta com duas edificações, sendo a primeira uma área de escritórios administrativos em um único setor com 3 pavimentos e 19 pessoas por pavimento e a segunda uma indústria de risco alto com 116 pessoas (edificações sem compartimentação dos pavimentos ou sem isolamento dos riscos calcula-se o número de brigadistas através da divisão de maior risco- Área industrial de risco alto). 
a) Escritório administrativo em um único setor contendo comunicação através de aberturas com área industrial de risco alto (usar a classificação da indústria divisão I-3 – risco alto) com população fixa: 19 pessoas por pavimento (3 pavimentos): 
 - População fixa até 10 pessoas = 8 brigadistas (tabela A.1). 
- População fixa acima de 10 = 19 (população fixa total por pavimento) – 10 = 9 pessoas = 9/10 (mais um brigadista para cada grupo de até 10 pessoas para risco alto) = 0,90 = 1 brigadista. 
- Número de brigadistas por pavimento = 8 brigadistas (população fixa até 10) + 1 brigadista (população fixa acima de 10). 
- Número de brigadistas por pavimento = 9. 
- Total de brigadistas no escritório = 9 brigadistas por pavimento x 3 pavimentos = 27. 
b) Indústria em um único setor (divisão I-3 – risco alto) com população fixa: 116 pessoas. 
- População fixa até 10 pessoas = 8 brigadistas (tabela A.1). 
- População fixa acima de 10 = 116 (população fixa total por pavimento) – 10 = 106 pessoas = 106/10 (mais um brigadista para cada grupo de até 10 pessoas para risco alto) = 10,6 = 11 brigadistas. 
- Número de brigadistas na indústria = 8 brigadistas (população fixa até 10) + 11 brigadista (população fixa acima de 10) 
- Número de brigadistas na indústria = 19. 
- Total de brigadistas da planta = Total de brigadistas no escritório + Total de brigadistas na indústria. 
- Total de brigadistas da planta = 27 + 19 = 46. 
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 Ex. 4: Indústria com quatro setores (divisão I-2 – risco médio) com população fixa de: 687 pessoas.
- População fixa até 10 pessoas = 6 brigadistas (tabela A.1). 
- População fixa acima de 10 = 687 (população fixa total por pavimento) – 10 = 677 pessoas = 677/15 (mais um brigadista para cada grupo de até 15 pessoas para risco médio) = 45 brigadistas. 
- Número de brigadistas = 06+45 = 51 brigadistas. 

A composição da brigada de incêndio deve levar em conta a participação de pessoas de todos os setores.

Critérios básicos para seleção de candidatos a brigadista
Os candidatos a brigadista devem atender aos seguintes critérios básicos:
a) permanecer na edificação;
b) possuir experiência anterior como brigadista;
c) possuir robustez física e boa saúde;
d) possuir bom conhecimento das instalações;
e) ter responsabilidade legal;
f) ser alfabetizado.

Definições
Brigada de Incêndio: Grupo organizado de pessoas voluntárias ou não, treinadas e capacitadas para atuar na prevenção, abandono e combate a um princípio de incêndio e prestar os primeiros socorros, dentro de uma área preestabelecida.
Combate a Incêndio: Conjunto de ações táticas, destinadas a extinguir ou isolar o incêndio com uso de equipamentos manuais ou automáticos.
Emergência: Sinistro ou risco iminente que requeira ação imediata.
Exercício Simulado: Exercício prático realizado periodicamente para manter a brigada e os ocupantes das edificações em condições de enfrentar uma situação real de emergência.
Exercício simulado parcial: Exercício simulado abrangendo apenas uma parte da planta, respeitando-se os turnos de trabalho.
Plano de segurança contra incêndio: Conjunto de ações e recursos internos e externos ao local, que permite controlar a situação de incêndio.
Planta: Local onde estão situadas uma única ou mais empresas, com uma única ou mais edificações. 
População fixa: Aquela que permanece regularmente na edificação, considerando-se os turnos de trabalho e a natureza da ocupação, bem como os terceiros nestas condições.
População flutuante: Aquela que não se enquadra no item de população fixa. Será sempre considerada pelo pico.
Prevenção de incêndio: Uma série de medidas destinadas a evitar o aparecimento de um princípio de incêndio ou, no caso de ele ocorrer, permitir combatê-lo prontamente para evitar sua propagação. 
Risco: Possibilidade de perda material ou humana.
Risco iminente: Risco com ameaça de ocorrer brevemente, e que requer ação imediata.
Sinistro: Ocorrência de prejuízo ou dano, causado por incêndio ou acidente, em algum bem.

Atribuições da Brigada de Incêndio
Ações de prevenção:
a. análise dos riscos existentes durante as reuniões da brigada de incêndio;
b. notificação ao setor competente da empresa ou da edificação das eventuais irregularidades encontradas no tocante a prevenção e proteção contra incêndios;
c. orientação à população fixa e flutuante;
d. participação nos exercícios simulados;
e. conhecer o plano de emergência da edificação.

terça-feira, 21 de março de 2017

Mangueiras de hidrante

Resultado de imagem para mangueiras de incêndio
O sistema de combate à incêndios requer, dentre outros itens, mangueiras de incêndio adequadas, A escolha da mangueira de incêndio deve seguir os critérios da NBR 11861 da  ABNT.
Para verificar se seu sistema está adequado, considere o seguinte:
Mangueira tipo 1 - Destina-se a edifícios de ocupação residencial;
Mangueira tipo 2 - Destina-se a edifícios comerciais e industriais ou Corpo de Bombeiros.
Mangueira tipo 3 - Destina-se a área naval e industrial ou Corpo de Bombeiros, onde é indispensável maior resistência à abrasão.
Mangueira tipo 4 - Destina-se a área  industrial, onde é desejável maior resistência à abrasão.
Mangueira tipo 5 - Destina-se a área  industrial, onde é desejável uma alta resistência à abrasão.)
(O que é resistência à abrasão? Toda mangueira sofre um desgaste quando arrastada. A mangueira tipo 1 é indicada para pisos lisos. A mangueira tipo 2 é indicada para pisos de áreas comerciais e industriais. As mangueiras tipos 3 e 4 são indicadas para pisos nos quais é desejável uma maior resistência à abrasão. A mangueira tipo 5 é indicada para pisos altamente abrasivos. Também deve ser observado se a mangueira terá contato com óleos ou produtos químicos. Nesse caso, deverá ser escolhido um modelo com revestimento externo resistente a esses produtos. 
Algumas observações para o uso e armazenamento das mangueiras:
- A mangueira de incêndio deve ser utilizada por pessoal treinado.
- Não arrastar a mangueira sem pressão. Isso causa furos no vinco.
- Não armazenar sob a ação direta dos raios solares e/ou vapores de produtos químicos agressivos.
- Não utilizar a mangueira para nenhum outro fim (lavagem de garagens, pátios etc.) que não seja o combate a incêndio.
- Para a sua maior segurança, não utilize as mangueiras das caixas/abrigos em treinamentos de brigadas, evitando  danos e desgastes. As mangueiras utilizadas em treinamento de brigadas devem ser mantidas somente para este fim.
- Evitar a queda das uniões.
- Nunca guardar a mangueira molhada após a lavagem, uso ou ensaio hidrostático.
 Durante o uso:
- Evitar a passagem da mangueira sobre cantos vivos, objetos cortante ou pontiagudos, que possam danificá-la.
- Não curvar acentuadamente a extremidade conectada com o hidrante. Isso pode causar o desempatamento da mangueira (união).
- Cuidado com golpes de aríete na linha causados por entrada de bomba ou fechamento abrupto de válvulas e esguicho (segundo a norma americana NFPA 1962, a pressão pode atingir sete vezes, ou mais, a pressão estática de trabalho). Isso pode romper ou desempatar uma mangueira.
- Quando não for possível evitar a passagem de veículos sobre a mangueira, deve ser utilizado um dispositivo de passagem de nível.
 Inspeção e manutenção:
A inspeção e manutenção de mangueiras de incêndio deverá seguir as determinações da NBR12779.
- Toda mangueira, quando em uso (em prontidão para combate a incêndio), deve ser inspecionada a cada 3 (três) meses e ensaiada hidrostaticamente a cada 12 (doze) meses. Esses serviços devem ser realizados por profissional ou empresa especializada.
ALERTA: O ensaio hidrostático em mangueira de incêndio deve ser executado utilizando-se equipamento apropriado, sendo totalmente desaconselhável o ensaio efetuado por meio da expedição de bomba da viatura, hidrante ou ar comprimido, a fim de evitar acidente.
- Para lavagem da mangueira, utilizar água potável, sabão neutro e escova macia.
- Secar a mangueira à sombra, utilizando um plano inclinado ou posicionando-a na vertical; nunca diretamente ao sol.
- Fazer a redobra dos vincos com profissional ou empresa especializada.
- O usuário deve identificar individualmente as mangueiras sob sua responsabilidade e manter registros históricos de sua vida útil.
- Após o ensaio hidrostático, a mangueira deve retornar, preferencialmente, para o mesmo hidrante ou abrigo em que se encontrava antes do ensaio.
- No caso de reprova, a mangueira deverá ser substituída imediatamente, a fim de manter o número adequado de mangueiras junto ao hidrante.
- Uma boa aplicação para mangueiras reprovadas seria corta-las em tiras para uso em abafadores para combater fogo em mata e para proteção de algumas cargas em veículos.
Resultado de imagem para abafador feito com mangueira de incêndio